Redes sociais como filtro de informações

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Novembro 22, 2012 por deh2011

Uma das funções que está cada vez mais aparente na apropriação dos sites de redes sociais é seu uso como filtro de informações. As redes sociais conectadas por meio da Internet começam, cada vez mais, a funcionar como uma rede de informações, qualificada, que filtra, recomenda, discute e qualifica a informação que circula na web.

Devido a esse poder de filtrar as informações na web, as redes sociais acabam por se tornar os novos “Gatekeepers” do jornalismo. A discussão sobre a teoria do “Gatekeeper” surgiu pela primeira vez em 1947, mas não se referia ao jornalismo. A teoria foi elaborada pelo psicólogo Kurt Lewin para estudar os problemas ligados à modificação dos hábitos alimentares em um determinado grupo social. Lewin percebeu que existem canais por onde passa a sequência de comportamentos relativos a um determinado caso.

O primeiro teórico a aplicar o conceito no jornalismo foi David Manning White, em 1950. Ele estudou o fluxo de notícias dentro dos canais de organização dos jornais com o objetivo de individualizar os pontos que funcionavam como “portão”, como explica Pena:

“Seu estudo de caso foi a observação da atividade de um jornalista de meia-idade, com 25 anos de experiência profissional, morador de uma cidade de cem mil habitantes, cuja função era determinar as notícias que deveriam ser selecionadas entre as centenas de despachos de agências que chegavam diariamente à redação. White chamou seu pesquisado de Mr. Gates e, durante uma semana, anotou os motivos que o levaram a rejeitar as notícias não utilizadas. (PENA, 2008, p.134)”

Ainda segundo o autor, White concluiu que as decisões de Mr. Gates foram subjetivas e arbitrárias, dependentes de juízos de valor baseados no conjunto de experiências, atitudes e expectativas do “Gatekeeper”.

De cada dez despachos, nove foram rejeitados. Das 1.333 explicações para a recusa de uma notícia, cerca de oitocentas referiam-se à falta de espaço, trezentas foram consideradas repetidas ou não tinham interesse jornalístico, e 76 não estavam dentro da área de interesse do jornal. Além disso, o pesquisador também concluiu que o fator tempo teve importância significativa. (PENA, 2008, p.134)

Nos anos seguintes, a teoria do “Gatekeeper” foi perdendo prestígio, substituída por paradigmas como o da construção social da realidade, por exemplo. Os estudos anteriores chegaram à conclusão que as decisões tomadas pelos “Gatekeepers” estavam tendo uma relativa influência por critérios profissionais ligados às rotinas de produção das matérias e à eficiência e velocidade do que por uma avaliação individual de noticiabilidade.

Atualmente, novas funções estão sendo atribuídas à teoria do “Gatekeeper”. Como já explicado acima, o conceito do “Gatekeeper” se refere à pessoa que tem o poder de decidir se deixa passar a informação ou se a bloqueia. Ou seja, devido ao enorme número de notícias que circulam na web, só viram notícia aquelas que passam por uma porta ou portão (gate em inglês). E quem decide isso é um tipo de porteiro ou selecionador (o Gatekeeper), que no caso seria o próprio jornalista. Ele se torna o responsável pelo andamento da notícia ou por apagá-la, caso escolha não deixá-la ser publicada.

No jornalismo, a ideia do “Gatekeeper” é relacionada também com a comunicação de massa e o poder sobre a informação exercido pelas mídias, mas perde força, como explica Recuero, (2009):

“Com a complexificação e a ampliação das conexões entre os atores nas redes sociais, principalmente pela Internet, que proporcionou um canal que está sempre aberto para o tráfego de informações, a discussão sobre o gatekeeping começou a beirar a superfície novamente”.

Um dos primeiros motivos é o elemento complicador da Internet como meio: a lotação de informações, que podem vir de todos os cantos do mundo. A Rede proporciona uma imensa quantidade de informações disponíveis e acessíveis, que correm pelo ciberespaço.

Neste universo, as redes sociais parecem organizar-se como filtros, no sentido de auxiliar na organização dessas informações. As redes passam a eleger e atuar como “Gatekeepers”. Através da seleção e da publicação de informações especializadas e localizadas, os atores sociais, no caso os internautas, estão construindo relevância, a partir de valores sociais como reputação. Tipos de pessoas interessadas em determinados assuntos vão produzir informações relevantes, detalhadas e novas. Os usuários da web irão filtrar as informações do ciberespaço e publicá-las, para quem quiser ouvir ou ler. Por meio da escolha de seus próprios “Gatekeepers”, os demais atores vão construir uma leitura focada nas informações que lhes são importantes. Essa leitura é assim, personalizada, através da escolha de suas próprias fontes informativas.

Um dos grandes questionamentos que permeia esta mudança é, justamente, seu impacto na mídia tradicional e no jornalismo. Ainda não se sabe como essas redes poderão atuar junto aos veículos informativos tradicionais, Televisão, Rádio, Jornal, Revista, entre outros. Mas sabemos que uma grande parte da informação que começa a ser veiculada e considerada relevante pelas redes sociais está vindo desse crescimento informacional dos espaços online e dos novos “Gatekeepers”.

Uma prova de que o Jornalismo Digital tem andado em constante movimento é a utilização de novas ferramentas digitais, as Redes Sociais. Hoje, o desafio não é mais aquele de levar jornais impressos para a Internet ou criar sites noticiosos. Agora, essas versões online de jornais ou de sites estudam se inserir nas Redes Sociais, como, por exemplo, o Twitter e o Facebook.

Após o grande avanço das sedes sociais nos últimos anos, 2012 se mostra com um novo cenário onde as sedes sociais deixarão de ser vistas como algo passageiro, para desempenhas um papel fundamental como ferramenta de comunicação em tempo real. Empresas, usuários e profissionais em geral estão na Internet ou irão aderir a essa nova ferramenta de comunicação que está tomando conta da web, as sedes sociais. Com a inserção das redes sociais na web, elas estão se tornando um novo comportamento da mídia.

As redes sociais se diferenciam bastante do jornalismo. Enquanto as informações divulgadas pelas redes sociais não precisam necessariamente, ter um valor-notícia ou um compromisso social, as notícias verdadeiramente jornalísticas precisam levar em conta esses critérios. Uma informação que circula em uma rede social pode ter um forte caráter social.  Assim, por exemplo, é comum circular nesses grupos piadas, jogos, comentários e outras informações que não são necessariamente enquadradas dentro dos valores-notícia característicos do texto jornalístico, que com o passar do tempo ganharam o nome de “virais da Internet”. Além disso, as redes sociais têm um forte poder de circular as informações mais rápida e facilmente, como explica Spyer (2009):

Como as redes sociais na Internet ampliaram as possibilidades de conexões, ampliaram também a capacidade de difusão de informações que esses grupos tinham. No espaço offline, uma notícia ou informação só se propaga na rede através das conversas entre as pessoas. Nas redes sociais online, essas informações são muito mais amplificadas, reverberadas, discutidas e repassadas. Assim, dizemos que essas redes proporcionaram mais voz às pessoas, mais construção de valores e maior potencial de espalhar informações. São, assim, essas teia de conexões que espalham informações, dão voz às pessoas, constroem valores diferentes e dão acesso a esse tipo de valor.

A importância que as redes sociais vêm adquirindo na era da informação leva também ao questionamento se as redes possuem realmente a credibilidade jornalística ao repassarem informações. Isso se dá, pois muitas pessoas, jovens principalmente, só ficam sabendo de informações importantes por meio das redes sociais. A credibilidade das notícias repassadas pelas redes tem tido um papel muito importante no desenvolvimento sociocultural dos principais usuários, os jovens. Isso quer dizer que o conceito inicial de que redes sociais são ferramentas inúteis ou fúteis já não é mais tão verdadeiro. Fica claro, então, que os critérios de noticiabilidade devem também ser empregados nas redes sociais pelos veículos que lá postam, valorizando este público.  Recuero (2009), fala mais sobre o assunto:

“Neste sentido, as redes sociais, enquanto circuladoras de informações são capazes gerar mobilizações e conversações que podem ser de interesse jornalístico na medida em que essas discussões refletem anseios dos próprios grupos sociais. Neste sentido, as redes sociais podem, muitas vezes, agendar notícias e influenciar a pauta dos veículos jornalísticos. Mas também esses movimentos podem refletir interesses individuais dos atores sociais que acontecem de estar em consonância com interesses sociais”.

É notória a presença cada vez maior de portais e sites noticiosos nas redes sociais. É lá que eles fazem a divulgação de suas notícias, um primeiro degrau para que os usuários da Internet, que estão mergulhados de cabeça em sites do tipo, acessem o site e tornem-se frequentadores assíduos. Além dos portais e dos sites noticiosos, empresas de diferentes ramos de atuação estão aderindo às redes sociais para informar os internautas sobre o que está acontecendo na empresa. Isso mostra como o jornalismo na Internet vem conquistando espaços que jamais se imaginava há alguns anos.

Entretanto, a escolha para entrar nestas redes não foi em vão. A mestranda em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Flávia Valério Lopes (2010), mostra como se dá a força desses sites sociais, em especial do Twitter.

“(…) no dia 10 de novembro de 2009, um apagão deixou 18 estados brasileiros às escuras e seus habitantes desprovidos de informações sobre o que poderia ter causado o blecaute. O Twitter novamente entrou em cena, e foi o principal meio de buscas de informações sobre o ocorrido, já que vários usuários recorreram aos celulares para se inteirar e postar as informações que conseguiam captar em rádios de pilhas e novas tecnologias nômades, como notebooks, celulares e palms. Tuiteiros informaram locais em que a energia começava a ser restabelecida e a própria usina de Itaipu utilizou a ferramenta para divulgar notícias sobre o incidente. Expressões como “apagão”, “blackout” e “Itaipu”, rapidamente alcançaram a liderança entre as trend topics (LOPES, 2010, p. 2)”.

Nas palavras de Lopes, fica clara a dimensão que as redes sociais têm tomado. A importância que elas vêm adquirindo na era da informação leva também ao questionamento se as redes possuem realmente a credibilidade jornalística ao repassarem informações. Isso se dá, pois muitas pessoas, jovens principalmente, só ficam sabendo de informações importantes por meio das redes sociais. A credibilidade das notícias repassadas pelas redes tem tido um papel muito importante no desenvolvimento sociocultural dos principais usuários, os jovens. Isso quer dizer que o conceito inicial de que redes sociais são ferramentas inúteis ou fúteis já não é mais tão verdadeiro. Fica claro, então, que os critérios de noticiabilidade devem também ser empregados nas redes sociais pelos veículos que lá postam, valorizando este público.

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