Virais da Internet se tornam notícias no Jornalismo

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Novembro 22, 2012 por deh2011

Para realização e aprofundamento do presente estudo, a pesquisadora realizou, via e-mail, entrevistas com três editores de jornais impressos. Um dos entrevistados foi o editor responsável pelas mídias sociais da Folha Online, Rafael Capanema. A Folha Online é a versão online do jornal com maior circulação do Brasil, a Folha de S.Paulo.

Na entrevista, Capanema explicou sobre os critérios de divulgação das notícias que viram destaques nas redes sociais e sobre os profissionais que trabalham especificamente acompanhando as informações que circulam na web, principalmente, nas redes sociais. Ele informou que o Folha Online possui uma equipe formada por um editor e três analistas e que eles são os responsáveis pela publicação de conteúdo e pelo monitoramento da marca da Folha e da concorrência. E que com a experiência adquirida com o tempo de trabalho na web, “nós conseguimos identificar quais as reportagens podem atrair mais interesse e retorno dos leitores”. Capanema também explicou que a equipe sempre procura aproximar os canais nas mídias sociais das edições impressa e on-line da Folha, divulgando a produção que é destacada nelas.

O editor também informou o motivo pelo qual informações que circulam nas redes sociais passaram a ser notícias na Folha Online e há quanto tempo elas estão sendo divulgadas. Ele destaca que “tendo em vista a importância e o alcance das redes sociais no mundo e, especialmente, no Brasil, é natural que a Folha aborde assuntos em voga nessas novas mídias, sempre com rigor jornalístico”. Ele ainda explicou que as divulgações ocorrem desde que as redes sociais se estabeleceram no país e no resto do mundo. Isso mostra como as redes sociais estão crescendo e recebendo destaque de importantes veículos de comunicação tradicionais, como, por exemplo, a Folha.

A pesquisadora questionou o editor em relação ao sucesso que virais como o “Para nossa Alegria” e o “Menos Luiza, que está no Canadá” fizeram nos meios jornalísticos. Capanema (2012) destacou como notícias banais fazem tanto sucesso atualmente.

“[…]é natural que algo que desperte interesse nas redes sociais se torne notícia. A importância que o veículo dá a esses fenômenos “banais” depende de sua linha editorial. Não é factível que a Luiza do Canadá, por exemplo, se torne manchete principal da primeira página da Folha, mas pode haver espaço para o assunto no site e nas páginas internas da edição impressa. Por mais banal que um fenômeno pareça, o jornalismo pode abordá-lo de maneira analítica e apurar a história por trás dele. E há, é claro, assuntos não banais nascidos nas redes sociais ou potencializados por elas, como a Primavera Árabe e o movimento Occupy, que, por sua grande relevância jornalística, se tornam destaques nos veículos tradicionais”.

Para finalizar a entrevista com o editor, a pesquisadora perguntou se divulgar informações obtidas em redes sociais, no caso os fenômenos/virais da Internet, é fazer jornalismo, Capanema é sintático. “Definitivamente. É um trabalho de edição muito semelhante ao desenvolvido na homepage de sites noticiosos e na primeira página de jornais”. Além disso, ele destaca que como no jornalismo contemporâneo é preciso avaliar quais são as notícias mais importantes, selecionar fotografias para ilustrá-las, elaborar chamadas atrativas, entre outros.

Além do editor responsável pelas mídias sociais da Folha Online, Rafael Capanema, a pesquisadora também entrevistou a editora-chefe do veículo impresso O Jornal, de Concórdia/SC, Analu Slongo. O O Jornal, que é bissemanal, possui uma grande tiragem e circula na cidade de Concórdia, tanto na cidade quanto no interior, Piratuba/SC, Ipira/SC, Peritiba/SC, Alto Bela Vista/SC, Presidente Castello Branco/SC, Jaborá/SC, Irani/SC, Lindóia do Sul/SC, Ipumirim/SC, Arabutã/SC, Seara/SC, Itá/SC, Xavantina/SC, Arvoredo/SC e Marcelino Ramos/RS.

A pesquisadora perguntou à editora-chefe sobre os critérios de divulgação das notícias que se tornam destaques nas redes sociais e se há profissionais que trabalham especificamente acompanhando as informações que circulam na web, principalmente, nas redes sociais. Analu explicou que o O Jornal não possui critérios definidos e nem um profissional específico, mas ressalta que quando surge algum assunto que acha interessante ele entra para a pauta. Ela também destaca que todos os profissionais que trabalham no O Jornal acompanham as redes sociais e quando surge algo que julgam interessante discutem o assunto e a viabilidade de entrar ou não para a pauta.

Na entrevista, e editora-chefe também foi questionada se o O Jornal possui alguma rede social e se quando surge um viral de sucesso como ele pauta a edição. Analu informou que o veículo não possui nenhuma rede social e que para os virais pautarem a edição depende da relevância do assunto. Ela dá mais detalhes, “se for algo que acharmos interessante pela informação ou até pelo fato inusitado vai entrar para a edição, independentemente de onde tenha vindo a fonte de informação”.

Para encerrar a entrevista, a pesquisadora também perguntou à editora-chefe se divulgar informações obtidas em redes sociais, no caso os fenômenos/virais da Internet, é fazer jornalismo, e Analu deixou claro que a responsabilidade de fazer a pauta virar jornalismo é somente do profissional. “Os virais podem servir para dar uma ideia e até acrescentar alguma informação, mas a responsabilidade de fazer jornalismo é nossa”. Ela também destaca que um jornal genérico e não segmentado, como é o caso do O Jornal, além da função de informar, também tem a função de entretenimento. “Tem muita gente que busca no jornal lazer e diversão. Neste caso, os virais podem contribuir com boas ideias, vai depender da forma que as usarmos”.

Com essas informações obtidas por meio das entrevistas, ficou claro que os veículos estão dando atenção às notícias que circulam na web, principalmente, nas redes sociais.

A pesquisadora também entrevistou outro jornal da cidade de Concórdia/SC, o Diário do Oeste que é, como o nome já diz, um jornal que tem circulação diária. O Diário do Oeste circula nas seguintes cidades, Concórdia/SC, Seara/SC, Arabutã/SC, Ipumirim/SC, Lindóia do Sul/SC, Xavantina/SC, Arvoredo/SC, Itá/SC, Paial/SC, Alto Bela Vista/SC, Piratuba/SC, Irani/SC, Ipira/SC, Presidente Castello Branco/SC, Jaborá/SC, Chapecó/SC e Florianópolis/SC.

Foi entrevistado o diretor de redação, Luiz Henrique Monticelli. O diretor também foi questionado sobre os critérios de divulgação das notícias que viram destaques nas redes sociais e sobre os profissionais que trabalham especificamente acompanhando as informações que circulam na web, principalmente, nas redes sociais. Monticelli informa que as redes sociais, por sua notoriedade, se tornaram mais uma fonte de notícias para as mídias. Ele também destaca que apesar de ser uma ferramenta consideravelmente nova, os critérios para divulgar um fato que vira destaque nas redes sociais são os mesmos para todas as notícias, seguindo a linha de noticiabilidade já conceituada e definida por diversos pesquisadores da área da comunicação.

Além disso, Monticelii também afirma que o grande problema enfrentado pelos veículos de comunicação é apurar a veracidade dos fatos que surgem na rede. Ele dá mais informações sobre o assunto:

“Na maioria das vezes as denúncias e informações que circulam na Internet são anônimas. Por isso, é necessário reconstruir todo o fato, ouvir os envolvidos e levantar as mais diferentes versões da história para que ela tenha características jornalísticas e possa ser publicada. A tarefa mais difícil é separar o que é oportunismo, o que é meramente especulativo, do que é notícia de interesse público (MONTICELLI, 2012)”.

O diretor de redação do Diário do Oeste também informou como os virais pautam as edições. Ele explicou que o Diário do Oeste é um jornal com foco regional e como são poucos assuntos que podem ser chamados de virais que surgem na região, a influência editorial no jornal é praticamente nula. Ele também afirmou que os virais não pautam a edição, a não ser se ilustrarem um fato de repercussão local. Monticelli cita um exemplo de notícia que circulou na rede social e teve destaque no jornal:

“A única notícia (que podemos chamar de viral) que teve essa conotação foi o aumento do número de vereadores em Concórdia, mas esta é uma questão muito mais de convergência de agendas públicas, intrapessoais e interpessoais com a agenda da mídia, do que uma reprodução de um efeito viral de notícia. A capa da edição de 25 de maio de 2012 do Diário do Oeste, com a foto dos vereadores que apoiaram o aumento das vagas recebeu mais de 700 compartilhamentos e milhares de likes (MONTICELLI, 2012)”.

A pesquisadora também perguntou ao diretor de redação se o veículo possui alguma rede social e quem a atualiza. Monticelli informou que o jornal fez um experimento durante as últimas eleições com uma página no Facebook e obteve ótimos resultados. Mas, ele explica que ainda não conseguiram contratar um profissional para trabalhar exclusivamente nisso, por isso tiraram a página temporariamente do ar e a expectativa é que para o mês de dezembro de 2012 a página volte com novidades e uma atualização religiosa.

Para encerrar a entrevista, a pesquisadora perguntou ao diretor de redação do Diário do Oeste se divulgar informações obtidas em redes sociais é fazer jornalismo. Monticelli destaca que as redes sociais são como um boteco de esquina, um lugar onde surgem notícias, só que ao invés da presença física a presença é virtual. “Simplesmente reproduzir conteúdo não é jornalismo. Nossa profissão vai além. Por vivermos de credibilidade, é imprescindível checar os dados, entrevistar os envolvidos e, sobretudo, pesquisar”.

Com as entrevistas e as informações obtidas através delas, ficou evidente que as redes sociais já fazem parte do dia a dia dos veículos tradicionais do jornalismo. Além disso, percebeu-se que não há problemas para os veículos divulgarem os virais. Mas, antes da divulgação, os assuntos considerados “banais” são tratados como assuntos sérios, com credibilidade jornalística. Não é porque uma notícia é “banal” sem muita relevância para sociedade, que os veículos irão tratá-la de forma diferente. Com isso fica claro que os veículos estão dando importância para os virais e que divulga-los e informa-los é fazer jornalismo.

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